Comecei a fazer as malas á pouco tempo, primeiro comecei por embrulhar todas as vossas memórias e em seguida o meu ódio, rapidamente, passei para as tragédias e as dores. Apaguei também os presentes, as roupas, queimei e vendi as jóias, os sapatos, dei a quem mais precisa e assim desta forma libertei-me de tudo que nos ligava tanto fisicamente como psicologicamente o que me resta é o meu sangue mas esse posso lava-lo nas águas frias do rio, não estou minimente relutante com esta decisão, não me arrependo e nem irei.
Agradeço sim a comida, o abrigo e pouco mais disso posso dizer que foram as únicas coisas que me salvaram, a minha existência acaba hoje e aqui. Não se incomodem mais em gritar pelo meu nome que jamais algum vento chamara por mim ou algum eco o fará ouvir-se.
Os meus braços começam a ficar cansados de lutar e a minha voz não sai mais, as minhas pernas sangram e mutilam se ficando roxas como um fruto a apodrecer, os meus pés agora descalços correm, não para vocês quando assim o fazia há muitos anos atrás, mas de vocês.
Comecei esta jornada sozinha, descalça, nua e esfomeada, não me importa o que me aconteça, pois sei que tenho como dar uma volta a este caminho cheio de espinhos e pedras cortantes, um dia irão reconhecer o erro que fizeram, no que me tornaram e no que se tornaram, os monstros debaixo da cama que me falavam em pequena afinal não eram meras ilusões, eram senão mais que vocês mascarados de algo menos aterrorizador.
Então adeus.
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